Descrição
Livro usado, em bom estado; pode conter raros grifos.
Imagem ilustrativa.
“A varanda do frangipani” nos transporta para um sanatório de idosos em Moçambique, um lugar esquecido onde as memórias se entrelaçam com a névoa do tempo. O jovem investigador Ermelindo Chiote é enviado para desvendar um crime intrigante: um assassinato ocorrido nesse refúgio, onde todos os internados são cegos e os responsáveis parecem ter evaporado. O que começa como uma busca por um culpado logo se revela uma jornada muito mais profunda, adentrando os labirintos da memória e da história de um povo.
Com a maestria poética que lhe é característica, Mia Couto tece uma narrativa onde a realidade e o maravilhoso se confundem. Os pacientes, testemunhas oculares de um passado que insiste em se manifestar, tornam-se guardiões de verdades fragmentadas e de fabulações necessárias para a sobrevivência. O tema central desdobra-se na reflexão sobre a verdade: o que é real, o que é inventado para suportar a dor, o que se lembra e o que se escolhe esquecer. A investigação de Chiote é, na verdade, uma escavação na memória coletiva de Moçambique, um país marcado pela guerra e pela busca incessante de sua própria identidade.
Este não é apenas um romance policial; é um mergulho na alma moçambicana, um convite para desvendar os mistérios da oralidade, da sabedoria ancestral e da resiliência humana. Mia Couto nos presenteia com uma prosa rica em metáforas e provérbios, que transforma cada página em um feitiço. “A varanda do frangipani” é uma obra envolvente e profundamente comovente, que questiona a natureza da memória, da justiça e da própria capacidade humana de reescrever sua história, mesmo quando a verdade parece se esvair entre os dedos.






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